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A CRISE ECONÔMICA E A BOLSA DE VALORES

Infelizmente, a crise econômica ainda faz parte da realidade brasileira. Por essa razão, é comum que os brasileiros em geral estejam preocupados com seus empregos, com suas contas e com as suas finanças em geral.

Por isso, muitos estão buscando uma saída para conseguir uma renda extra e alguns têm observado na bolsa de valores grandes oportunidades de obter investimentos formidáveis.

Isso porque abrir um negócio próprio requer um vasto conhecimento na área ou simplesmente requer um perfil de gerência ou administração que a pessoa pode não possuir.

Mas não se engane: investir em ações é considerado um investimento de alto risco. Entretanto, o retorno de tal investimento com um dinheiro corretamente aplicado é infinitamente maior do que se a quantia estivesse parada em uma caderneta de poupança ou até em outros investimentos bancários.

Mas, afinal, investir na bolsa de valores quando há alta da inflação, instabilidade política e crise financeira, é aconselhável ou não?

INVESTINDO NA BOLSA EM TEMPOS DE CRISE

Pode parecer clichê, mas uma frase que faz muito sentido é “aprenda com o erro dos outros”. A crise pela qual estamos passando não é a primeira e provavelmente não será a última. Na crise de 2008, muitas pessoas se desesperaram e alguns investidores inexperientes e que não possuíam uma carteira de investimento diversificada viram todos os seus rendimentos diminuírem até desaparecerem. Entretanto, foi uma oportunidade e tanto para aqueles que queriam ingressar na bolsa, tendo em vista a forte queda dos preços que o mercado de ações sofreu.

Warren Buffet, o maior investidor de todos os tempos, já afirmou com veemência que não há tolice maior do que comprar uma ação simplesmente pelo fato de esta estar com o preço mais alto. Ter uma ação cara não faz da companhia uma empresa saudável (conforme veremos a seguir) tampouco garante lucros (e as ações da OGX estão aí parar provar isso).

Isso é resultado de economia básica: quanto mais gente querendo comprar, preços mais altos. Quanto mais gente vendendo, os preços tendem a diminuir. Em suma: não tem nada a ver com a saúde da empresa.

Então, respondendo a pergunta principal a resposta é sim. É viável investir na bolsa de valores em tempos de crise e alta inflação, porém é imprescindível que o investidor consiga identificar uma empresa saudável, adquira uma carteira diversificada e entenda a fundo como funciona a bolsa de valores.

IDENTIFICANDO “EMPRESAS SAUDÁVEIS”

O passo inicial nessa jornada é, sem dúvidas, saber como investir na bolsa. Entretanto, conhecer a melhor corretora, saber diferenciar os tipos de ações e até mesmo ter uma margem de investimento alta não é suficiente para garantir sucesso. O que mais há são histórias de pessoas com pouco dinheiro para investir na bolsa que lucraram muito e outras que tinham muito dinheiro para realizar investimentos, mas acabaram não obtendo sucesso.

No momento de crise, é possível adquirir ações de empresas saudáveis, por um baixo custo e que será um investimento a médio e longo prazo.

Como escolher empresas para investir ainda é uma das dúvidas mais comuns de quem está ingressando no mercado de ações. De fato, esse questionamento é viável.

É necessária uma análise técnica e fundamentalista para identificar um bom negócio. Buscar empresas saudáveis é o ponto de partida para tal. Para encontra-las, é necessário indagar:

  • A empresa tem uma boa imagem no mercado?
  • A empresa está no negócio há no mínimo 10 anos?
  • A empresa está crescendo durante a crise (mesmo que com baixo crescimento)?
  • O negócio da empresa é simples, de fácil entendimento e com preço acessível?

Se a resposta para todas essas indagações for sim, é bem possível que as ações dessa empresa sejam de bom investimento.

O RETORNO DO INVESTIMENTO NA BOLSA É DE CURTO OU LONGO PRAZO?

O maior defeito de todos que almejam investir em ações é a pressa. Assim como um bom  empreendedor é aquele que abre um negócio e não tira dinheiro do caixa para despesas pessoais no primeiro ano, um investidor de sucesso não pode ter pressa.

Comprar uma ação em tempos de crise é, de fato, um investimento a médio ou longo prazo. Porém, investindo em ações da empresa correta, o resultado positivo é altamente previsível.

O problema é que a maioria das pessoas prefere gastar R$ 3,50 todo dia em um bilhete de aposta na loteria do que investirem na possibilidade de enriquecer lentamente.

ABRIR UMA EMPRESA versus INVESTIR EM EMPRESAS

Superado tudo isso, retorna-se ao questionamento suscitado no inicio do presente artigo: se o mercado de ações é algo tão arriscado, não seria melhor simplesmente abrir um negócio próprio?

De fato, as duas opções são possibilidades de ganhar dinheiro e obter sucesso. Optar por investir na bolsa de valores e viver unicamente disso requer um estudo a fundo sobre o tema, entender como funciona as ações, estudar como investir bem na bolsa de valores, analisar as empresas saudáveis e ainda as probabilidades, etc. De fato, é um trabalho árduo, porém com a dedicação e persistência os resultados positivos com certeza aparecerão.

Agora, se a pretensão é abrir uma empresa própria para evitar as dificuldades que encontraria ao investir em ações, não fique muito alegre. Ser dono de um negócio não é um mar de rosas. A alta carga tributária imposta ao empreendedor brasileiro é absurda, as linhas de crédito são curtas, a mão de obra acaba sendo duas vezes mais cara tendo em vistas os direitos trabalhistas e a concorrência é algo extremamente feroz. Além disso, é necessário dedicação aos negócios para melhor controle e administração.

O melhor a ser fazer para decidir qual a melhor opção para aplicar o seu dinheiro é analisar o seu perfil para empreendedor ou investidor (sendo que para o primeiro você precisa ser o segundo). Trabalho árduo deverá estar presente em qualquer das opções. Portanto, o grau de dificuldade não será o ponto de decisão.

CONCLUSÃO

No mercado de ações a linha entre o fracasso e o sucesso é bem tênue. Por isso, é preciso saber como investir na bolsa de valores, seja em tempos de crise ou não, analisando os possíveis setores  de crescimento a médio ou longo prazo, analisando as empresas saudáveis, e sempre pesquisando e se atualizando sobre o mercado. A crise econômica pode facilitar encontrar potenciais empresas a um custo abaixo do normal, que irão gerar um retorno desse investimento, tendo a paciência necessária para aguardar a tempestade acabar.

Não se esqueça: após toda grande tempestade, sempre há um belo arco-íris.